Acredita-se que a utilização da realidade virtual possa ser bastante eficaz na reabilitação de crianças com alterações neurológicas e com transtornos no desenvolvimento, pois possibilita a inter-relação de uma atividade lúdica com os princípios da (re) habilitação físico-funcional. A realidade virtual oferece oportunidades de vivência em diversas situações e de maneira individualizada; encoraja a participação ativa do paciente, mesmo com incapacidade física e/ou cognitiva; propicia um ambiente motivador para a aprendizagem e facilita o estudo das características das habilidades e capacidades perceptuais e motoras do paciente.

Outro aspecto de grande importância na (re) habilitação promovida pela realidade virtual é a possibilidade de um feedback imediato por parte do sujeito, ou seja, ao interagir com o mundo virtual, obtém respostas imediatas da eficiência de suas ações, o que possibilita que exija o máximo de si, estimulando o cérebro/cerebelo para que façam as correções necessárias para um bom desempenho.

game6

Dentre os jogos eletrônicos, fala-se do Nintendo Wii e do Xbox 360 Kinect que são consoles que inovaram o mercado com um paradigma de interação diferenciado, trazendo uma nova forma de jogar. Os aparelhos captam os movimentos realizados pelo usuário (eixos vertical, eixo horizontal esquerda-direita, rotação horizontal), os interpreta e depois transporta para o jogo.

Os consoles exigem que o paciente execute movimentos similares às atividades praticadas nas sessões de Terapia Ocupacional. Estes novos recursos têm se mostrado eficazes em diversas áreas da reabilitação, apresentando progressos incontestáveis que, por meio de estímulos conseguidos pelo esforço para executar bem as ‘jogadas’, incentivam a atividade cerebral que induz adaptações positivas como: fortalecimento muscular, melhoria na capacidade de concentração, equilíbrio e coordenação motora e, consequentemente, uma recuperação gradativa da dinâmica de movimentos.

O sucesso do Wii e do Xbox 360 Kinect como instrumento de reabilitação instigou a curiosidade científica. Hoje uma das descobertas a respeito de seus efeitos é a de que, a partir dos desafios por eles criados, há uma extraordinária estimulação cerebral, onde o cérebro é estimulado a criar células nervosas que ajudam a reestruturar áreas lesadas (neuroplasticidade). Outra característica importante na utilização deste novo recurso terapêutico é a capacidade de melhorar a adesão e o envolvimento dos pacientes no processo de tratamento. A realidade virtual oferecida nos jogos proporciona variadas oportunidades e motivação para atividades de lazer.

Assim, a Reabilitação com realidade virtual (GAMETERAPIA) tem se mostrado eficiente, pois a utilização dos jogos virtuais requer movimentos sensíveis e precisos, semelhantes às realizadas nas atividades de vida diária (AVD`S). Os exercícios com os jogos tornam as atividades funcionais mais seguras, reais e potencializam as funções motoras, sensoriais e cognitivas.

Na APAE de Florianópolis a Gameterapia é realizada pelo setor de Terapia Ocupacional em intervenções individuais e grupais, com alunos com deficiência intelectual, motora e com Transtorno de Espectro Autista, tendo como objetivos a manutenção e/ou melhora dos componentes de desempenho ocupacional (sensório-motor e cognitivos); estimular habilidades de comunicação e interação social; incentivar tomada de decisões, estabelecimento de estratégias de solução de problemas e promover a independência e autonomia na realização das Atividades de Vida Diária (AVDs), Instrumentais de Vida Diária (AIVDs), trabalho e lazer.

 

Setor de Terapia Ocupacional:

Aline Cristina L. Moncau – CREFITO 10/ 9736-TO

Danielle Isis Makcemiuk- CREFITO 10/12807-TO

Rafael F. Borges – CREFITO 10/12205 – TO