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Linguagem e Fonoaudiologia

Foto 2O fonoaudiólogo é o profissional habilitado para identificar, diagnosticar e tratar indivíduos com distúrbios da comunicação oral e escrita, voz e audição. Entretanto, nesse processo, é fundamental a participação de outros profissionais como: pediatras, educadores, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, entre outros.

O setor de fonoaudiologia da APAE de Florianópolis atua com a prevenção, habilitação e reabilitação dos aspectos que envolvFoto3em a linguagem. Os atendimentos ocorrem em forma de grupos e individuais, bem como através de orientações, objetivando amenizar e/ou tratar as alterações relacionadas à comunicação humana.
A linguagem corresponde a uma das habilidades mais especiais e significativas dos seres humanos, envolve o desenvolvimento de quatro sistemas interdependentes: o pragmático, que se refere ao uso comunicativo da linguagem num contexto social; o fonológico, envolvendo a percepção e a produção de sons para formar palavras; o semântico, respeitando as palavras e seu significado; e o gramatical, compreendendo as regras sintáticas e morfológicas para combinar palavras em frases compreensíveis. No desenvolvimento da linguagem, duas fases podem ser reconhecidas: a pré-linguística, em que são vocalizados apenas fonemas (sem palavras) – até aos 11-12 meses de idade; e, posteriormente, a fase linguística, momento em que a criança começa a falar palavras isoladas com compreensão. Para que haja uma comunicação proficiente da linguagem, é necessário que o cognitivo esteja preservado, caso contrário, em alguns casos o cérebro possui capacidades de potencializar suas funções, bem como adaptar-se realizando novas sinapses com outros neurônios (plasticidade neural). Dessa forma, o ambiente familiar e social em que se está inserido, se torna de suma importância. O fator social do desenvolvimento do ser humano proporciona inúmeras interações que podem vir a gerar conflitos cognitivos, podendo auxiliar na plasticidade neural e no desenvolvimento de forma em geral. Por isso, é fundamental que o individuo esteja inserido em um ambiente rico em estimulação para que se possa aumentar seu potencial cognitivo desde o seu nascimento. Acreditando então que a família desenvolve um papel importantíssimo durante o processo de desenvolvimento da linguagem é que ressaltamos a participação dos pais e cuidadores neste processo. Vale salientar que os indivíduos são diferentes, e apresentam um desenvolvimento distinto. Todos devem ter suas capacidades e limites respeitados, visando sempre ao máximo do desenvolvimento cognitivo e da linguagem.

Orientações:

Estas orientações podem otimizar o desempenho nas áreas de linguagem e habilidades cognitivas, levando em consideração a idade e condição de cada individuo.

  • Trabalhar com conceitos básicos (funções básicas de linguagem ex: cor, forma, tamanho, espessura, etc.);
  • Aproveitar situações de vida diária;
  • Exemplo: você está sentindo frio ou calor coloque a folha em cima da mesa;
  • Ser paciente, esperar a resposta do indivíduo, não responder por ele;
  • Caso observe trocas na fala evite corrigir e sim mostrar o padrão correto;
  • Não falar errado, pois reforça o erro;
  • Evitar falar no diminutivo: comidinha, casinha…. Prejudica a inteligibilidade da palavra;
  • Cantar cantigas de roda (linguagem automática);
  • Trabalhar com diversas gravuras, jogos, músicas; relacionando-as às dificuldades fonêmicas.

 

Texto elaborado pelos profissionais do setor de Fonoaudiologia da APAE/Florianópolis*
*Adriano S. Hazan CRFa 8099/SC
Carla Naline Silveira CRFa 10018/SC
Francieli A. Oliveira CRFa 9808/PR
Kethelin C. Costa Coutinho CRFa 6976/SC
Maria Fernanda Beirão Cabrera CRFa 10656/SC

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Oficinas de primeiros socorros e prevenção de acidentes na educação especial

Maíra Antonello Rasia
Enfermeira Apae Florianópolis

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Foi realizado na Apae de Florianópolis, oficinas de primeiros socorros e prevenção de acidentes com educandos das turmas de educação profissional (57 educandos), distribuídos em quatro turmas, com idade média de 17 anos. As oficinas foram realizadas por turma para proporcionar melhor concentração em pequeno grupo.

Ao total ocorreram quatro oficinas de primeiros socorros e de prevenção de acidentes, denominadas: “SOS fique alerta: prevenindo doenças e evitando acidentes”. Cada oficina compôs-se de dois temas, sendo respectivamente: desmaio e atropelamento; choque elétrico e queimadura; afogamento e engasgo; picada de animal peçonhento e sangramento nasal. Esses temas foram escolhidos devido a maior preocupação, demanda e facilidade de compreensão pelos educandos. As oficinas aconteciam no período matutino, com média 50 minutos de duração, sendo ministradas pela enfermeira da instituição. Os conteúdos eram ensinados por meio da associação: teoria e prática. Assim foi realizado demonstrações para que o educando tivesse oportunidade de executar atividades em bonecos ou simulação em seus colegas.

Nas oficinas foram utilizados recortes com confecção de cartazes; desenhos e pintura de material; teatro e demonstração em material didático (filmes e imagens em Power point). No final das oficinas, foi confeccionado por alguns educandos de cada turma, um cartaz abordando todos os temas das oficinas, para ser exposto na festa da família realizada na própria instituição, onde inclusive são expostos outros trabalhos realizados pelos educandos. Muitas vezes, o primeiro atendimento em situações de emergência é realizado pela população leiga que se encontra próximo à vítima ou ao local do acidente, assim acredita-se que o conhecimento básico destes educandos é necessário para oferecer o atendimento.

Além da prevenção espera-se um reconhecimento e possível auxílio em uma situação de emergência. Essas atividades possibilitaram o conhecimento de educandos de uma instituição de educação especial, sobre o tema abordado visando a primordialmente a prevenção e uma básica e primordial compreensão de primeiros socorros.

Ministrar cursos de primeiros socorros para educandos especiais pode ser um meio importante de contribuir para o decréscimo dos índices de morbimortalidade decorrentes de acidentes. Esta prática aprofunda o caráter interativo e proporciona o direito e o respeito às diferenças. É importante analisar o conhecimento prévio dos educandos, quanto à prevenção e aos primeiros socorros, uma vez que a maioria já teve alguma informação, certa ou errada sobre a maneira de proceder em casos de acidentes mais comuns em seu dia a dia. Estratégias como a dramatização o e teatro de fantoches foram mais eficazes do que exposição dialogada e demonstrações.

Chamo a atenção para a observação dos alunos sobre o quanto ensinar na prática é ainda a melhor estratégia. Os educandos com necessidades educativas especiais em sua maioria não recebem informação e conhecimento específicos para a prática de primeiros socorros. A educação é o principal alicerce da vida social e tem uma clara tarefa em relação à diversidade humana. Assim o ensino de medidas iniciais de emergência como prática educativa em saúde deve ser amplamente disponibilizado e democratizado nas unidades escolares como forma de reduzir as vulnerabilidades desta população.

As atividades desenvolvidas nas oficinas propiciaram a formação de sujeitos com conhecimento e pratica acerca do tema, e, dentro de sua capacidade, enfrentar situações complexas em seu cotidiano.

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Envelhecendo com Deficiência Intelectual: muito além da longevidade.

O envelhecimento humano é um processo complexo, dinâmico e progressivo, no qual há alterações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, que determinam perda gradual da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam a levá-lo a morte. (CARVALHO Filho 2007).

O fenômeno do envelhecimento e a conquista da longevidade também atingem a pessoa com deficiência. Segundo Fonseca (2013) o aumento da expectativa de vida da pessoa com deficiência intelectual é um tema instigante e que merece atenção dos profissionais voltados ao estudo do envelhecimento. Ainda que os benefícios trazidos pela biomedicina tenham aumentado a sua longevidade, com frequência essas pessoas passam por comorbidades e aceleração do processo de envelhecer. O processo de envelhecimento além dos aspectos biológicos inclui dimensões psicológicas, culturais e sociais.

Oferecer e programar serviços especializados de atenção à saúde e a educação de pessoas envelhecente com deficiência intelectual, bem como apoio necessário à família cuidadora, ainda é um desafio para as políticas públicas, especialmente nas áreas da gerontologia, saúde e educação.

Buscar atendimento adequado e satisfatório para essa população com deficiência intelectual envelhecente é uma difícil tarefa. São poucas as instituições que se propõem a esse tipo de atendimento com uma equipe multiprofissional qualificada. O que já acontece com frequência nas Associações de Pais e Amigos de Excepcionais (APAE), sendo ela reconhecida como uma grande instituição que presta serviços a esta clientela.

Lisiane C.S. Bonatelli

Pedagoga, Coord. Pedagógica da APAE Florianópolis